Dor no deltóide: entre a riqueza semiológica e diversidade de terapias

Neste pequeno artigo queria usar um exemplo, dor no deltóide, para abordar a importância da análise semiológica e a forma como pode afetar as técnicas de acupuntura ou a combinação de técnicas de acupuntura e osteopatia.

Não pretendo abordar a dor no ombro de uma forma mais vasta pois a análise semiológica associada à miologia funcional, pontos gatilho, posturologia, funcionamento ligamentar ou diferenciação neurofisiológica ia tornar o artigo demasiadamente vasto e complexo. A dor no deltóide que eu quero discutir é um caso muito particular de dor na face lateral desse músculo.

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Diferenciação semiológica simples de dor no deltóide

São comuns na clínica, 3 causas de dor no deltóide, na sua face lateral: tendinopatia do supraespinhoso, compressão do nervo axilar e contratura do deltóide. Estas 3 causas são relevantes para definir variações aos tratamentos de acupuntura.

dor no deltóide e acupuntura

Tendinite Supraespinhoso

A tendinopatia do supraespinhoso provoca dor que agrava com movimento de abdução e testes de força resistida para o supraespinhoso. A dor costuma irradiar pelo braço podendo descer até ao cotovelo ao mesmo punho e os pacientes costumam localizá-la um pouco mais anterior.

Compressão nervo axilar

A compressão do nervo axilar é denunciada pela presença de uma dor tipo ardor (afeção do dermátomo), dor desencadeada por pressão do nervo axilar na sua interface anatómica com músculos como triceps ou infraespinhoso (que precisam ser estudados).

Contratura muscular

A dor por contratura costuma ser localizada, agravar com pressão mais profunda e é comum sentir-se faiscas musculares mais contraturadas e dolorosas (alguns pacientes com pouca massa magra e muita massa gorda pode ser mais difícil).

Tratamento com técnicas integradas: Acupuntura, Osteopatia, Reabilitação

Tendinopatia do Supraespinhoso

Caso seja uma tendinopatia do supraespinhoso a acupuntura deve ser feita com estímulo elétrico combinado. Parte desse estímulo deve ser doloroso (dependente da capacidade de tolerância do paciente) e outra parte não deve ser dolorosa. O estímulo pode ser focado mais no tendão (região inflamada), mais no músculo ou em ambos consoante pequenas variações relevantes na análise semiológica.

Os estímulos de acupuntura elétrica (se preferirem eletrólise percutânea) devem ser complementados com treino excêntrico para o supraespinhoso. Exercícios de reabilitação mais complexos que abordam as cadeias musculares, por exemplo, devem ser levados em consideração.

Compressão do nervo axilar

No caso de uma compressão do nervo axilar funciona melhor a integração de abordagens invasivas, nomeadamente o uso de técnicas de neuromodelação dermo-segmentar. A análise semiológica pode ser mais complexa uma vez que existem uma série de variantes envolvendo outras estruturas (infraespinhoso, cadeias musculares, alterações articulares proximais ou distais, etc…). Neste caso é possível associar técnicas de acupuntura para miologia funcional, pontos gatilho, etc…

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Assumindo uma abordagem simples de alterações na interface anatómica mais próxima do nervo axilar a associação de técnicas harmónicas e neurodinâmicas funciona muito bem. Outras abordagens osteopáticas como mobilização articular ou técnicas músculo-esqueléticas podem ser necessárias.

Contratura muscular

A contratura de feixes do Deltóide é a mais fácil de tratar. Exige poucos conhecimentos anatómicos de puntura, ao contrário da tendinite do supraespinhoso ou da compressão do nervo axilar. No entanto existem uma série de variações de puntura desde várias técnicas manuais a técnicas com eletroestimulação que podem fazer a diferença. Se existirem pequenos focos inflamatórios, tensão fascial, etc… algumas dessas técnicas podem vir a ser mais importantes que outras.

Nestes casos mais simples, muitas vezes não são precisas grandes abordagens em termos de terapia manual. A acupuntura costuma resolver rapidamente. No entanto a associação com técnicas de inibição é vantajosa.

Conclusão sobre dor no deltóide

Este artigo tem 3 objetivos: chamar a atenção para a importância da análsie semiológica fundamentada em neurofisiologia e biomecânica não só para o diagnóstico como para o tratamento; mostrar que existem muitas variações algoritmicas para guidelines gerais na aplicação de técnicas de acupuntura e relembrar a importância em integrar diferentes abordagens terapêuticas para obter resultados mais satisfatórios.
Existem uma grande variabilidade de técnicas, dentro e fora da acupuntura, que podem ser conjugadas. Alguns terapeutas irão preferir usar técnicas de inibição e outros técnicas de crochetagem mio-aponeurótica. Uns vão estar muito dependentes de um aparelho para acupuntura elétrica enquanto outros irão usar uma maior variabilidade de aparelhos.
O artigo foi apresentado de forma muito simples propositadamente. Complicar o artigo na abordagem semiológica ou vertente terapêutica ia torná-lo demasiadamente longo e massudo tornando pouco legível para a maioria dos leitores.
Espero com ele poder despertar o interesse de muitos colegas para a riqueza que é a análise semiológica, a diversidade de técnicas existentes e a importância de saber adaptar bem a técnica à análise efetuada.

By |2018-05-29T11:54:23+00:00Fevereiro 25th, 2018|acupuntura, osteopatia, Terapia Manual e Reabilitação|0 Comments

About the Author:

O terapeuta Nuno Lemos e Raquel Marçal são os responsáveis pelos diferentes gabinetes da clinica de acupuntura. A nossa formação é baseada em acupuntura e osteopatia.

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