Sites na educação em saúde: importância atual e desafios futuros

Quando surgiu a pequena epidemia de Sarampo que deixou os portugueses (e não só) a questionarem as suas crenças a favor e contra a vacinação foi feito um programa para discutir esse problema.

Nesse programa, prós e Contras, a bastonária da Ordem dos Enfermeiros avisou as pessoas para terem cuidado com os sites.

Segundo consta os sites são perigosos, tem muita informação errada, etc…

Esta ideia foi partilhada recentemente pelo Dr. António Vaz Carneiro, ao referir que 99,9% dos sites de saúde passam informação errada.

Existem sites com muita qualidade e sites com imensa falta de qualidade. Os problemas estarão nos sites?

O perigo dos livros e dos sites na educação em saúde

No fundo os sites são formas de passar informação tal como os livros, mas não passa na cabeça de ninguém dizer que os livros são perigosos.

A bastonária dos enfermeiros nunca se atreveria a dizer publicamente aos doentes para não lerem livros e irem antes ao serviço de saúde mais próximo.

A história está recheada de exemplos onde os livros foram bem mais perigosos que os sites.

Hitler nunca teve um blog, Marx percebia tanto de SEO (Search Engine Optimization) como um austrolopitecus de exobiologia e Lenine nunca pode fazer uso de bots nas redes sociais para viralizar conteúdo anti-capitalista e informações falsas.

O problema está nos sites ou na nossa inadequação em escolher os locais corretos para combater determinadas mensagens e crenças?

A inadequação das nossas instituições em adaptarem-se a novas realidades é o problema de base?

Ou essa adaptação não é necessária porque a nova realidade é desnecessária e evitável?

Causas que levam pessoas a ligar a esses sites

Para compreendermos a importância de determinados sites devemos tentar compreender a razão pela qual as pessoas os procuram pois tanto existem sites a favor da vacinação como contra.

O que faz com que os leitores escolham um ou outro?

Existem sites a colocar em causa a existência histórica de Cristo e outros a defende-lo como realidade histórica.

O que faz com que as pessoas escolham um site em vez de outro?

Existem, na minha opinião, 3 fatores fundamentais que levam as pessoas a procurar determinado site.

Em primeiro lugar, procuram informação que fortaleça as suas crenças.

Muitas vezes as pessoas não estão interessadas em questionar as suas crenças mas simplesmente em fortalece-las.

A maioria das pessoas que procuram sites anti-vacinação já tem crenças anti-vacinação e procuram esses sites para fortalecerem essas crenças.

Em segundo lugar existe um desfasamento gigante entre a produção científica e a pessoa comum.

A Evolução tem tantas provas que é considerada facto científico, mas o que mais existem são sites de religiosos fundamentalistas (principalmente cristãos e muçulmanos) a colocarem em causa este facto.

Existem escolas nos Estados Unidos onde crianças são ensinadas que Cristo viveu com dinossauros e escolas no Reino Unido onde não exite um único aluno a aceitar a Evolução porque isso é contra a sua crença religiosa.

As pessoas no dia a dia não compreendem a linguagem cientifica e suspeitam das ligações entre muitos centros de investigação e a corrupção empresarial existente à volta.

Em terceiro lugar está a falta de cultura científica na população em geral que culmina numa incapacidade de colocar em causa as suas crenças pessoais, elimina capacidade auto-crítica e dá, muitas vezes preferência a teorias da conspiração do que a uma análise factual objetiva.

A história atual está recheada de exemplos.

O homem nunca foi à Lua;

A vacinação anti-poliemielite é um esforço concertado de potencias ocidentais para esterilizar muçulmanos;

As vacinas matam milhões e são altamente tóxicas;

Existe uma conspiração entre governo dos EUA e extra-terrestres;

Os judeos são os responsáveis pelas crises mundiais, etc…

Combater a desinformação em sites na educação em saúde

Os sites são uma realidade que não vai embora. As redes sociais são outra.

A existência de redes sociais destruiu a interação que existia entre escritores e leitores dos sites mudando o forum de discussão do site para a rede social mas essa realidade é inegável e não vale a pena contrariá-la.

O que muitos sites fizeram foi instalar plugins que ligam esses artigos à discussão que geram nas redes sociais. Ou seja adaptaram-se a uma nova realidade.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros ao aconselhar as pessoas a não ligarem aos sites e a procurarem informação nos enfermeiros do centro de saúde tentou puxar a brasa à sua sardinha e mostrou que não está minimamente preparada para enfrentar os desafios atuais de comunicação na saúde com o público.

Temos de combater a desinformação do futuro usando métodos futuristas e não estratégias que visam defender os interesses de classes.

A bastonária não devia estar a mandar pessoas aos centros de saúde mas devia estar a mandar enfermeiros aos sites.

O combate à desinformação online deve ser feito online com a criação de sites na educação em saúde, criação de artigos que se podem viralizar usando os membros da própria classe, discussões online e enfrentar diretamente esses sites seja na secção de comentários ou nas redes sociais.

Conclusão sobre sites na educação em saúde

A capacidade de uma classe profissional de saúde escrever conteúdo facilmente viralizável é tão importante quanto um bom programa nacional de vacinação.

A internet pode ser vista como um desafio à forma de passar informação ao doente mas também pode ser vista como uma oportunidade única de ter uma comunicação mais próxima com os doentes e público em geral.

É dever das classes profissionais da saúde saberem dialogar usando os novos métodos disponibilizados pela sociedade atual.

Os sites de educação em saúde são essenciais no futuro e para o nosso futuro.