A Osteopatia e o Osteopata na sociedade atual

Osteopatia

A Osteopatia é um método de tratamento tradicionalmente não invasivo que usa métodos manuais de diagnóstico e tratamento seguindo um modelo biopsicossocial. A base do diagnóstico osteopático e da aplicação de técnicas osteopáticas vem do conhecimento biomecânico e neurofisiológico. É a análise semiológica das queixas do paciente, o estudo de diversos testes (ortopédicos, osteopáticos, neurofisiológicos, etc…) que permitem compreender a disfunção e definir a melhor abordagem terapêutica. Também é considerado um tratamento seguro (1).

Um tratamento é composto pela aplicação de um conjunto variado de técnicas manuais: Técnicas de tecidos moles, músculo-energéticas, técnicas harmónicas, técnicas articulares, Técnicas de impulso, Strain Counterstrain, sacro-cranianas, técnicas viscerais, entre outras.

Algumas técnicas são mais antigas e estão mais estabelecidas e outras são mais recentes. Novas áreas começam a surgir. A Osteopatia tem-se desenvolvido para adotar outras técnicas tal como acontece com a chamada “punção seca” que começa a ser disponibilizada em muitos consultórios de osteopatia.

Além destas técnicas é comum o Osteopata recorrer a uma série de conselhos acerca da alimentação ou exercício (muitas vezes através do trabalho conjunto com outros profissionais) de forma a conseguir reverter o quadro clínico e manter os ganhos obtidos com o tratamento de marquesa. Estudos sobre o perfil do Osteopata mostraram que os osteopatas adaptam a sua abordagem biopsicossocial de acordo com a idade do paciente. (2) Em pacientes mais novos usam técnicas mais diretas e manipulativas e em pacientes mais idosos usam mais conselhos de exercício, técnicas de manutenção diária dos sintomas, etc… Também se demonstrou que é mais provável pedirem exames de imagiologia médica em pacientes mais idosos.

Osteopata

Devido às diferenças entre países tem sido difícil definir o típico perfil do osteopata. No entanto começam a surgir diferentes estudos que nos ajudam a definir esse perfil.

A Austrália tem sido prolífica na realização desses estudos: Os osteopatas australianos (3) e espanhóis (4) vêem na maioria dos casos situações de dor aguda, sub-aguda ou crónica relacionada com problemas de coluna. Um estudo do Canadá mais detalhado demonstrou que 61,9% dos pacientes recorriam à osteopatia com dores na coluna, tórax, pélvis e membros; 11,8% para cuidados perinatais e pediátricos; 9,1% para sintomas relacionados com a cabeça; 5% para sintomas viscerais e 0,3% por problemas gerais (5).

As técnicas mais usadas por osteopatas australianos são: tecidos moles (22,3%), Músculo-energéticas (14.6%), técnicas articulares (14.3%), educação do paciente (11.9%). (3). Em Espanha, o estudo do perfil osteopático, indicou uma prática dominada técnicas de mobilização, tecidos moles, técnicas cranianas e técnicas de impulso (4). No Reino Unido as técnicas de tecido mole (70% das vezes) e articulares (67%) dominavam as terapias mais aplicadas seguidas de técnicas de impulso (32% das vezes), educação do paciente (26%), cranianas (24%), prescrição de exercício (23%) e músculo-energéticas (18%). Das técnicas menos usadas encontravam-se as técnicas viscerais (2%) e strain/counterstrain (7%).

As diferenças na aplicação destas técnicas estão mais dependentes de fatores como sexo e idade do osteopata ou idade do doente do que diferenças nacionais. Osteopatas do sexo masculino e mais novos tem preferência por técnicas diretas enquanto osteopatas do sexo feminino e mais velhos tem preferência por técnicas indiretas (6). A idade do paciente, como referido também é relevante na escolha que o osteopata faz das terapêutiocas a usar. (2)

A osteopatia enquanto profissão liberal na sociedade atual

O reconhecimento da profissão e a satisfação dos pacientes com os tratamentos osteopáticos tem sido muito boa. Várias fontes diferentes (3) referem níveis de satisfação elevados com o tratamento osteopático. Num estudo sobre perfil do osteopata australiano o alívio ou resolução das queixas foi relatado por 96,2% dos pacientes sendo a existência de problemas relacionados com os tratamentos muito raros (3). Um estudo semelhantes feito em Espanha relatou alivio ou resolução das queixas dos pacientes em 93% (4). Estes dados foram obtidos pela análise independente dos casos clínicos provenientes da experiência de centenas de osteopatas. Outro estudo usando auditores independentes em mais de 1000 pacientes provenientes de 15 clinicas osteopáticas indicou que 82% dos pacientes referiu que o tratamento tratou completamente ou melhorou muito os sintomas (7).

Um estudo no Canadá mostrou que os pacientes de osteopatia estavam satisfeitos com as recomendações de exercício do seu osteopata (8) Outro estudo italiano mostrou que existia um nível de satisfação muito elevado de pacientes com queixas músculo-esqueléticas que recorreram a tratamentos de osteopatia em ambiente hospitalar (9). É importante o nível de satisfação do paciente em relação ao tratamento porque é um indicativo de bem estar.(10)

Outro estudo australiano (11) num grupo de pacientes com outros tratamentos prévios em terapias manuais mostrou uma grande satisfação com os tratamentos osteopáticos. Consideraram que existem muitas características partilhadas com outras terapias manuais (análise semiológica desenvolvida, uso de várias técnicas manuais, educação acerca da sua condição). Também referiram ter apreciado um atendimento centrado no paciente e adaptado às suas características e necessidades, considerando a relação terapêutica como essencial.

Uma revisão de 2019 mostrou que de forma geral os pacientes apresentavam experiências e níveis de satisfação muito elevados (12). Outro estudo Australiano (13) mostrou que a maioria dos doentes em clinicas de osteopatia eram recomendados por outros pacientes, os osteopatas tinham bastantes horas de tranbalho e era comum a recomendação do tratamento osteopático por médicos (dados variantes com recomendações esporádicas por volta dos 20 a 30% e recomendações comuns abaixo dos 10%) (14). Todos estes dados indicam uma satisfação e aceitação geral do trabalho clinico osteopático.

Um estudo interessante feito no Reino Unido mostrou que a percepção do público face à osteopatia estava a mudar. A expectativa dos tratamentos estava no mesmo nível exigido a médicos de clinica geral e os pacientes esperavam o mesmo nível de profissionalismo de uma clinica médica privada. (15) A Osteopatai começa a ser vista como uma profissão de saúde.

Conclusão sobre Osteopatia e osteopatas no mundo atual

A base da Osteopatia é cientifica e parte das mesmas ciências base de todas as outras profissões de saúde. A osteopatia usa um modelo biopsicossocial com diagnóstico fundamentado em biomecânica e neurofisiologia, assim como uma série de técnicas manuais para tratamento da queixa e educação do paciente para manter os ganhos clínicos do trabalho osteopático e integrar a abordagem reabilitativa com uma abordagem mais preventiva.
Apesar de existirem pequenas diferenças entre países, as técnicas que caracterizam o trabalho de marquesa do Osteopata estão presentes em todos os estudos. Fatores que influenciam a escolha de técnicas de tratamentos estão relacionadas com a idade, sexo e formação dos osteopatas ou a idade dos pacientes. A abordagem biopsicossocial defendida pelos osteopatas também se encontra presente nos diversos países estudados.
Dados provenientes de diferentes países apresentam um nível de satisfação muito elevado com o trabalho dos osteopatas seja um ambiente hospitalar ou de clinica privada. Os doentes consideram a osteopatia como uma profissão de saúde liberal, na maioria das vezes paga e procurada pelos próprios.
O nível de satisfação, só por si, não prova a eficácia da osteopatia. No entanto, os estudos mostram que o nível de satisfação está associado não só ao tipo de atendimento centrado no paciente como em relação aos resultados obtidos. O nível de satisfação dos pacientes é relevante pois está associado à sua sensação de bem estar. Quanto ao tipo ou nível de evidência que apoia o uso da osteopatia será um problema para o nosso próximo artigo.

BIBLIOGRAFIA

1 – Hayes. NM. Bezilla. TA. Incidence of Iatrogenesis Associated With Osteopathic Manipulative Treatment of Pediatric Patients. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/17122030

2 – https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0965229918312275

3 – https://bmcmusculoskeletdisord.biomedcentral.com/articles/10.1186/1471-2474-14-227

4 – https://bmccomplementalternmed.biomedcentral.com/articles/10.1186/s12906-018-2190-0

5 – https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0106259

6 – https://pdfs.semanticscholar.org/cc03/324cca348ff0c5697c5a5a19c40b13328d99.pdf

7 – http://www.gilmourosteo.co.uk/research_information.cfm?ID=21&Section=Patient%20satisfaction%20Audit%201998&Info=Abstract

8 – http://ijwpc.mcgill.ca/article/view/177

9 – https://web.a.ebscohost.com/abstract?direct=true&profile=ehost&scope=site&authtype=crawler&jrnl=10786791&AN=133101095&h=Cb3P71Kk4nW5WcPJjxnl%2bz5Z7KRUfw83lq4bVqgvWTKUMi86%2fZj40GOVjeCAvfd0pmeoqEyg5iWDcCvscNmAew%3d%3d&crl=c&resultNs=AdminWebAuth&resultLocal=ErrCrlNotAuth&crlhashurl=login.aspx%3fdirect%3dtrue%26profile%3dehost%26scope%3dsite%26authtype%3dcrawler%26jrnl%3d10786791%26AN%3d133101095

10 – https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/11837337

11 – https://www.mskscienceandpractice.com/article/S1356-689X(15)00225-8/pdf

12 – https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1746068918301317

13 – https://www.journalofosteopathicmedicine.com/article/S1746-0689(08)00106-5/fulltext

14 – https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S174606890800059X

15 – https://www.ncor.org.uk/wp-content/uploads/2013/02/ICAOR-2012-OPEN-survey-presentation.pdf